segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Nossas verdades


Quais são suas verdades? A quem você recorre quando elas falham? O que seria de você se elas não dissessem um pouco do que você é, gosta e sente? O que é ser você, sem ser verdadeiro? Perguntas que fazemos a nos mesmos todos os dias e que respondemos, mesmo sem perceber.
As verdades nos dominam, nos exigem filosofar sobre quaisquer coisas: emprego, família, amor, violência ou uma conta a pagar atrasada: pago com um pouco de juros e compro uma calça nova, ou pago em dia e deixo a calça pra, quem sabe, mês que vem? Movimentos pequenos, devagares, que dificilmente são percebidos por nós, mas que estão intrinsecamente vinculados à nossa personalidade.
Verdades tolas, verdades boas, verdades bestas, verdades insanas, verdades burras, verdades censuradas, verdades mentirosas, mentiras verdadeiras. Precisamos... E não venha me dizer que você é uma exceção porque te provo que é mentira. Você tanto quanto nós precisa das certezas, dessas que gritamos ao mundo, que dizemos em textos, que escrevemos em cartas ou bilhetes antes de sair de casa. Que nos acompanham à festas ou a velórios; que nos ajudam com a felicidade e nos ampara na tristeza; que nos embebeda de sobriedade, mas que entorpece tanto quando maconha. Essas verdades que a gente precisa somente.
Mas é aí que tudo começa a mudar - ou não. Há quem perceba, mas há quem prefira morrer na escuridão de entender que nossas verdades são fajutas, nossas certezas são transitórias e tudo que conceitualizamos hoje, daqui a 10 anos não será a mesma coisa. Somos tacanhos, ínfimos ante à verdade que a vida é: um espaço entre o nada - antes de nascermos - e o não conhecido - a morte. Somos só um pedaço do jogo, uma carta do baralho, uma parte realmente essencial, mas somente essencial, entende? Ter essas verdades nos ajudam apenas a amenizar as dificuldades, a apaziguar os corações que dóem com algumas outras verdades mais pesadas - e tão transitórias quanto.
Verdades somos nós que somos humanos, que somos donos de um senso de coletividade e reciprocidade - ou que deveríamos ser. Devemos amar sem saber o porquê e compreender sem saber onde achar compreensão. Ser compassivo sem ser bobo e ser leal sem ser necessariamente fiel. Ser amigo, ser amante, ser bobo, chato e idiota, mas ser você. Utilizar dessas coisas lindas que você tem de mais escroto e valorizá-las - são as suas escrotices, elas valem ouro. Verdades somos nós que nos aguentamos a cada dia, envelhecendo em frente ao espelho sem saber o que fazer. Nos torturamos, é verdade, mas a morte é o caminho do conhecimento e inexoravelmente real. Aceite. Verdade somos todos nós que nos comprazemos da vida que nos foi dada por algum motivo, que não sabemos qual e que sabê-lo seria pura ingenuidade - ninguém nunca saberá. Verdades somos nós que nascemos pra isso: ter verdades e usá-las, mesmo sendo elas apenas verdades transitórias.

E então: quais são suas verdades?

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